A Galeria Le Muse de Cortina d’Ampezzo, “Olhares de dois séculos: a Itália entre o espelho do verdadeiro e o sonho moderno” propõe uma viagem refinada pela arte italiana entre o século XIX e o século XX, através de obras capazes de contar o real transformando-o em atmosfera, memória, silêncio e visão.
O percurso começa com “Mercado em Santa Margherita” (1885) de Ettore Tito, cena de vida cotidiana veneziana vibrante de luz, movimento e sensibilidade cromática, testemunho de uma modernidade pictórica já plenamente reconhecível. Segue-se com “Oxford Street, Londres” de Paolo Sala, onde a cidade moderna se torna ritmo, elegância e luz, observada com o olhar cosmopolita de um artista acostumado a pintar do real.
A dimensão suspensa e metafísica emerge em “Paisagem” (1930) de Antonio Donghi, dominada por uma quietude cristalizada e por aquela “calma plástica” que torna a realidade enigmática e atemporal. Com “O casamento” de Lorenzo Viani, por sua vez, o cotidiano se transforma em teatro grotesco e inquieto, entre ironia, tensão existencial e crítica ao conformismo burguês.
Fecha idealmente o percurso o “Retrato de Nena Duè” (1951) de Felice Casorati, onde rigor formal e intensidade interior se encontram em uma presença feminina de extraordinária sobriedade e autoridade.
Um itinerário que convida a olhar a Itália com olhos diferentes: do real à visão, da luz ao silêncio, da cotidianidade ao sonho.