No centenário de nascimento de Gian Antonio Cibotto (1925–2017), o Palazzo Roncale dedica um percurso que restitui a complexidade de uma figura central da cultura italiana do século XX. Escritor, jornalista, crítico, diretor artístico, intelectual curioso e muitas vezes contra a corrente, Cibotto atravessou seu tempo deixando um rastro amplo e surpreendentemente variado. A exposição Gian Antonio Cibotto. O gosto da narrativa reúne livros, documentos, fotografias, anotações, correspondências, materiais de arquivo e testemunhos que reconstruem não apenas a atividade criativa, mas também a dimensão pessoal: o caráter, as amizades, os hábitos, os lugares que marcaram sua vida.
O percurso se desenvolve através de diferentes seções temáticas que marcam as muitas vidas do autor: das primeiras provas narrativas a Crônicas da inundação que marcaram sua estreia literária, ao trabalho jornalístico; do mundo dos Diários venezianos e da poesia às suas experiências no teatro; até as relações com escritores, artistas, editores, atores e diretores e a atenção ao panorama cultural e social do Veneto e da Itália. Sem esquecer sua indissolúvel união com o Delta que chega também ao mundo cinematográfico.
Cada seção entrelaça materiais diferentes para oferecer uma visão geral capaz de retratar tanto o Cibotto público quanto o privado, entre melancolias, entusiasmos e aquele gosto inconfundível pela observação que caracteriza sua escrita. A crônica mistura-se à memória, a cotidianidade à cultura, a leveza ao desencanto. Sem dar prevalência a um domínio específico, a exposição restitui o movimento contínuo com que Cibotto passava de um interesse ao outro, levando em cada um a mesma intensidade.
Gian Antonio Cibotto. O gosto da narrativa oferece assim um retrato coral, atencioso e humano: um convite a redescobrir um autor que soube dar forma a experiências, lugares e pessoas com uma sensibilidade capaz de falar também ao presente.